terça-feira, 24 de novembro de 2009

O desespero saiu á rua: Lá prós lados da Comporta

Sem que a oposição(BE) estivesse ou esteja a pôr em causa a vitória da CDU, o Bloco e o PS continuam a ser as forças que num somatório de votos estão em maioria!
A intransigência e a falta de respeito pelos outros, fez com que a CDU passasse a usar a mentira e o autoritarismo como arma de arremesso, para com os que votaram neles e para com os outros partidos políticos.
Sem escrúpulos, sem respeito, sem limites e acima de tudo sem leis, fizeram sair para a rua um comunicado usando uma linguagem pouco acessível e sem base legal ou jurídica.
Isto só demonstra a pouca certeza que têm em relação à forma usada em todo o processo que levou ao clima que se instalou nas Assembleias de Freguesia.
Querendo o Bloco de Esquerda, transparência, justiça, e mudar o rumo do clima vivido nos últimos anos e nos últimos dias.
Vamos continuar sem pactos que sejam pouco favoráveis às populações e aos destinos da nossa Freguesia!
Pela Freguesia da Comporta e pelo desenvolvimento da mesma, vamos lutar e usar a legalidade; como membros de uma oposição que se quer forte e cooperante!

2 comentários:

  1. “Na palma da mão”

    O poder está onde sempre esteve... na palma da mão, essa é uma verdade irrefutável, desde tempo imemoriais que assim é, no início, pelo menos aquele início de que eu me lembro, o poder estava na palma da mão do troglodita que tinha a moca maior e que arrastava pelos cabelos, na palma da outra mão, a sua amada e companheira, quem não se recorda desta imagem de poder ?

    Tempos mais tarde o poder esteve na palma da mão do guerreiro que manuseava a maior espada e que mercê desse poder escorraçava mouros malditos de territórios que logo caiam a seus pés, para dessa forma conseguir fundar um imenso país a partir de um pequeno condado.

    Houve até uma vez em que o poder esteve na palma da mão de uma padeira que lá para os lados de Aljubarrota, com a sua pá conseguiu meter na ordem um punhado de bravos atacantes e que perante tamanha demonstração de poder não tiveram outro remédio senão meter o rabinho entre as pernas e rumar a terras vizinhas.

    Tempos houve ainda em que o poder esteve na palma das mãos de bravíssimos missionários, em que numa levavam o livro sagrado e na outra as espadas e lanças, armas com as quais convertiam infiéis por esse mundo fora e conquistavam vastos territórios e riquezas em nome de Sua Majestade.

    Veio depois um tempo em que o poder transitou para a palma da mão de um punhado de republicanos que empunhando as suas armas, atentaram contra a vida de Sua Majestade e lograram levar por diante os seus ideias de implantação da república.

    Algum tempo após logo o poder transitou para a palma da mão de um regime cinzentão, conduzido por um doutor que aparentemente sem nada na palma da mão, nos tinha a todos bem na mão e assim nos quedámos por umas boas dezenas de anos.

    E logo numa madrugada o poder foi parar à palma da mão de um conjunto de bravos militares, que empunhando as sua espingardas automáticas, logo entregaram o poder nas palmas da mão do povo, que sem mocas nem espingardas fez jus ao poder do voto que lhe puseram na palma da mão.

    Mas ao povo logo o poder que lhe puseram na palma da mão parece ter-se esgotado em alternâncias que não parecem conduzir a lado nenhum, a não ser abrir caminho a uns quantos que apercebendo-se das debilidades do sistema logo apareceram com maços de notas na palma da mão, qual arma mais poderosa que qualquer moca ou espingarda.

    E parece este maior poder bem demonstrado, uma vez que antes por força das mocas, das espadas e das espingardas o poder sempre ia passando de mão em mão, enquanto agora terá ficado para sempre agarrado numa teia imensa e quase impenetrável, dominada por aqueles que com esses maços de notas apareceram na palma da mão.

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  2. O Selvagem

    Eu não amo ninguem. Tambem no mundo
    Ninguem por mim o peito bater sente,
    Ninguem entende meu sofrer profundo,
    E rio quando chora a demais gente.

    Vivo alheio de todos e de tudo,
    Mais calado que o esquife, a Morte e as lousas,
    Selvagem, solitario, inerte e mudo,
    - Passividade estupida das Cousas.

    Fechei, de ha muito, o livro do Passado
    Sinto em mim o despreso do Futuro,
    E vivo só commigo, amortalhado
    N'um egoismo barbaro e escuro.

    Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras
    Regiões dos crueis indifferentes,
    Meu peito é um covil, onde, ás escuras,
    Minhas penas calquei, como as serpentes.

    E não vejo ninguem. Saio sómente
    Depois de pôr-se o sol, deserta a rua,
    Quando ninguem me espreita, nem me sente,
    E, em lamentos, os cães ladram à lua...

    António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'

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